“Conta não fecha”: secretário de Saúde diz que colapso de serviços em JP e CG empurra demanda e sufoca o Metropolitano

O secretário de Saúde da Paraíba, Ari Reis, afirmou, ao programa Arapuan Verdade, durante entrevista nesta sexta-feira (27), que a sobrecarga registrada no Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires nos últimos meses é resultado direto da redução de serviços especializados em outras unidades de saúde do estado, especialmente em Campina Grande e João Pessoa.
Leia Também:
Efraim Filho lamenta decisão do STF que encerra CPMI do INSS: “Um dos maiores escândalos de corrupção”
Em entrevista, o gestor explicou que, anteriormente, a Paraíba contava com vários hospitais realizando procedimentos de alta complexidade, como cirurgias cardíacas e neurocirurgias. No entanto, com o encerramento de contratos e o fechamento de unidades em João Pessoa e em Campina Grande, essa demanda acabou sendo concentrada no Metropolitano.
“A conta não fecha. Quando esses serviços deixam de funcionar, toda a demanda acaba sendo direcionada para o Metropolitano. É uma matemática simples. Antes eram vários serviços funcionando. Hoje, com o fechamento de estruturas, sobra praticamente o Metropolitano para absorver essa demanda”, destacou.
Segundo Ari Reis, a situação é agravada pelo fato de pacientes da rede municipal, principalmente de João Pessoa, estarem sendo atendidos na unidade estadual. De acordo com ele, mais de 60% dos atendimentos do hospital são de pacientes da capital.
O secretário informou ainda que a unidade opera com cerca de 92% de taxa de ocupação e teve espaços internos adaptados para ampliar a capacidade de atendimento. “O hospital está lotado, funcionando no limite. Auditórios foram transformados em enfermarias para dar conta da demanda”, afirmou.
Apesar do cenário, Ari ressaltou que o governo do Estado tem adotado medidas para reduzir a pressão sobre o sistema, como investimentos em cirurgias cardíacas em outras regiões e ampliação de contratos para reforço de equipes.
O gestor também evitou atribuir culpa direta a outras gestões, mas defendeu maior integração entre os entes.
“Não se trata de apontar culpados, mas de reconhecer que, com a diminuição desses serviços, o Metropolitano acaba absorvendo uma demanda muito maior do que foi planejado. Não é uma questão política. Estamos defendendo o funcionamento do hospital e o atendimento à população. O diálogo existe, mas precisamos avançar nas soluções”, pontuou.
Por fim, Ari Reis classificou o cenário como um “paradoxo da eficiência”, ao afirmar que, quanto mais o serviço estadual melhora e amplia sua capacidade, maior se torna a demanda por atendimento.
PB Agora

