Vem circulando nas redes sociais, nos últimos dias, um documento que atestaria as relações familiares do prefeito afastado de Cabedelo, Edvaldo Neto (Avante), com o traficante Flávio de Lima Monteiro, o Fatoka. O movimento ocorre em meio ao julgamento de recurso impetrado pelo gestor no Tribunal de Justiça da Paraíba para tentar retornar ao cargo.
Edvaldo Neto foi afastado do cargo em abril, dois dias depois de ser eleito em eleição suplementar. A decisão, expedida pelo desembargador Ricardo Vital de Almeida, atingiu também a sogra do gestor, Cynthia Denize Silva Cordeiro, apontada como advogada de Fatoka. Ela foi afastada do cargo de secretária da Administração Municipal também durante a Operação Cítrico.
A Polícia Federal e o Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) encontraram, durante a investigação, uma procuração assinada por Fatoka nomeando Cynthia e Alana Denise Cordeiro, mulher de Neto, como procuradoras do traficante para representá-lo em ações judiciais.
A advogada também já representou Fernandinho Beira-Mar.
“Ela teria articulado a aliança inicial entre a Prefeitura e a facção. Sua influência, segundo os indícios, se estende, já que é sogra do atual prefeito Edvaldo Neto, o que, em tese, a posicionaria como figura de poder contínuo, garantindo a manutenção do pacto”, diz trecho da decisão.
O recurso de Edvaldo Neto no Tribunal de Justiça seria julgado na semana passada, mas foi adiado pelo relator, Ricardo Vital de Almeida. Ele disse que precisaria de mais tempo para fazer ajustes em seu voto.
A procuração assinada por Fatoka, relacionada a Cynthia e Alana Cordeiro, tem circulado em grupos de WhatsApp e no Instagram. O documento, inclusive, integra o conjunto probatório a ser analisado pelo Tribunal de Justiça.
No TJ, já há maioria para derrubar preliminar que tenta emplacar a tese de que a Corte seria incompetente para julgar o caso. A tendência é também que o recurso seja rejeitado pela Justiça.

