‘Não podemos aceitar o tratamento que os EUA nos deram’, diz Lula sobre tarifaço

O presidente Lula discursa, nesta manhã, na abertura da reunião ministerial no Palácio do Planalto. Ao falar do principal tema do encontro, o novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil, o petista reclamou da postura do governo de Donald Trump no episódio.
“Nós somos grandes, temos muita história e não podemos aceitar o tratamento que os Estados Unidos deu ao Brasil esta semana, não é possível… Eu propus ao Trump: já que não tem acordo entre os dois ministros, vamos dar 30 dias para que os dois se entendam. Se o Brasil estiver errado, eu sei voltar atrás, mas se vocês estiverem errados, vocês voltam atrás. Essa reunião ainda não aconteceu. Por isso, a nossa surpresa com relação a uma taxação contra o Brasil”, disse o petista.
Nesta semana, o governo americano anunciou uma nova leva de tarifas comerciais a produtos brasileiros, após investigações conduzidas internamente. O petista bateu diretamente no secretário de Estado do governo Trump, Marco Rubio, figura próxima ao clã de Jair Bolsonaro, que declarou nesta terça que o Brasil não está entre as nações aliadas dos Estados Unidos.
“Esse Marco Rubio não gosta da América Latina e muito menos do Brasil, ele é um latino-americano frustrado”, disse Lula. “Esse país não aceitará mais a política de vira-la diante das grandes potências. Nós não somos melhor do que ninguém, mas também não somos pior. Queremos respeitar todo mundo, mas também queremos respeito”, disse o petista.
Para Lula, o país não pode ser tratado mais com nação inferior. “Eu vou repetir uma coisa aqui: O Trump foi eleito pelo povo americano e eu respeito o resultado eleitoral. Eu fui eleito pelo povo brasileiro e ele tem que respeitar a vontade do povo. Eu não fui eleito imperador da América Latina e muito menos o Trump foi eleito imperador. O que espero é que os membros do Conselho de Segurança da ONU tenham a capacidade de se reunir e discutir qual é o papel do órgão, se é para manter a paz ou fomentar a guerra”, disse Lula.
Nesta terça, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) concluiu uma nova investigação da seção 301 e propôs uma tarifa de 10% a 12,5% para o Brasil, a União Europeia e outros 58 países por suposta falha no combate ao trabalho forçado. A recomendação ocorre um dia após o governo Trump pedir uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros.
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