ALPB debate demarcação de terras indígenas no Litoral Sul

A Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) realizou audiência pública, na manhã desta quarta-feira (25), para discutir o processo de demarcação de terras indígenas no Litoral Sul da Paraíba. Produtores rurais, representantes de entidades e autoridades públicas participaram do debate realizado no plenário Deputado José Mariz.

O debate, proposto pelo deputado Branco Mendes, teve como objetivo ampliar o diálogo sobre o tema e discutir os impactos diretos da possível demarcação para os produtores rurais e empresários que possuem propriedades e empresas nas áreas em análise.

O deputado estadual Branco Mendes comentou os desdobramentos de uma ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal em 2022, atualmente em tramitação na Justiça Federal, e que pode, segundo ele, impactar diretamente municípios como Conde, Alhandra e Pitimbu. Durante o encontro, o parlamentar destacou a importância de ampliar o diálogo entre todas as partes envolvidas, com atenção especial aos agricultores da região. “Há mais de mil propriedades e empreendimentos sob risco de impactos diretos, o que tem provocado insegurança jurídica e preocupação com o futuro de diversas famílias que dependem da terra para sobreviver”, disse.

“Esse processo com possíveis impactos nesses municípios exigem sensibilidade, equilíbrio e compromisso com a justiça. Mas hoje quero aqui destacar de forma muito clara a voz dos nossos agricultores. Estamos falando de homens e mulheres que acordam cedo todos os dias, que vivem na terra, que produzem alimento, que sustentam suas famílias com o trabalho digno e que são parte essencial da economia e da vida social do nosso Litoral Sul. São pessoas que construíram suas histórias com esforço, muitas vezes ao longo de gerações, e que hoje se vêem tomadas pela insegurança e pela incertezal”, acrescentou Branco Mendes.

O deputado George Morais afirmou que irá tomar medidas institucionais para ampliar a participação do Legislativo no debate. “Eu vou apresentar um requerimento para que a Mesa Diretora da Assembleia, por meio da Procuradoria Jurídica, se habilite nesse processo como parte interessada, considerando que os 36 deputados têm o dever de participar dessa discussão, garantindo que todos, sem exceção, tenham a oportunidade de apresentar dados, elementos e informações para a formação do livre convencimento judicial”, declarou.

A deputada Cida Ramos destacou a importância do diálogo e do respeito aos direitos constitucionais durante a audiência. “Esse é um tema sensível, que exige responsabilidade e compromisso com a justiça social. Precisamos garantir o direito dos povos indígenas à sua terra, assegurado pela Constituição, ao mesmo tempo em que promovemos um debate transparente, ouvindo todas as partes envolvidas. A Assembleia tem um papel fundamental na mediação desse processo, buscando soluções que respeitem a dignidade humana e a legalidade”, afirmou.

O procurador da República, José Godoy, destacou o papel do Ministério Público Federal na condução do tema e a necessidade de equilíbrio no processo. “É fundamental que todo esse processo seja conduzido com responsabilidade, transparência e diálogo, considerando também os impactos sobre as demais comunidades envolvidas, de modo a garantir segurança jurídica e soluções equilibradas”, afirmou.

Representando o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Fernanda Luchesi destacou a preocupação do órgão com a possível sobreposição entre a área em processo de demarcação e assentamentos da reforma agrária já consolidados na região. Segundo ela, muitas das famílias assentadas ocupam essas terras desde as décadas de 1960 e 1970, tendo construído uma relação histórica com o território. “São assentamentos antigos, formados para favorecer famílias que já viviam na área, trabalhadores rurais que permanecem produzindo alimentos de qualidade até hoje”, afirmou.

A Asplan reforçou a importância da mobilização dos associados e destacou que a participação ativa dos produtores é essencial nesse momento. O presidente da entidade, José Inácio, enfatizou a relevância do debate para o futuro do setor. “Essa audiência foi extremamente importante para garantir a segurança jurídica dos nossos associados, principalmente daqueles que possuem propriedades nas áreas em questão. Estamos tratando de um tema sensível, que exige atenção, união e acompanhamento de perto por parte de todos”, afirmou.

Também participaram da solenidade a desembargadora Lílian Frassinete Correia Cananéa, representando o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Frederico Coutinho; a advogada Martha Mezoniades, representando a Federação da Agricultura e Pecuária da Paraíba (Faepa); o antropólogo Edward Luz, representando os atingidos; e o vice-prefeito do Conde, Rogaciano Cabral.

YouTube
Instagram
WhatsApp
DIÁRIO PB ONLINE
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.