Advogado avalia uso da comunicação digital na eleição

O avanço das redes sociais e das plataformas digitais tem transformado a forma como candidatos se comunicam com o eleitorado. Em artigo publicado nesta semana, o advogado e analista político João Ágrima analisa os impactos dessa mudança e defende que autenticidade, presença e conexão humana passaram a ter mais valor eleitoral do que campanhas excessivamente produzidas.

Segundo o autor, o modelo tradicional de comunicação política, baseado no controle absoluto da narrativa e na construção de uma imagem cuidadosamente planejada, perdeu força diante do ambiente digital, onde o escrutínio é constante e qualquer contradição se torna pública rapidamente.

O esgotamento do modelo de controle

Por décadas, a campanha política foi construída sobre a lógica do controle da narrativa, da imagem e do discurso. O candidato era apresentado ao eleitor como um produto cuidadosamente elaborado, sem espaço para improvisos ou falhas.

Com a expansão das plataformas digitais, esse modelo começou a perder eficiência. Se por um lado a internet ampliou o alcance das mensagens, por outro tornou permanente a fiscalização pública sobre os políticos e suas ações.

A desconfiança do eleitor

Para João Ágrima, o eleitor atual desenvolveu uma percepção mais crítica diante do marketing político tradicional. A repetição de promessas não cumpridas e a crescente descrença nas instituições criaram um ambiente em que a autenticidade passou a ser um diferencial.

Nesse cenário, candidatos excessivamente produzidos podem ser vistos como artificiais, enquanto figuras que demonstram espontaneidade tendem a gerar maior identificação com o público.

A política cansou da perfeição

O artigo utiliza uma reflexão do estrategista político paraibano Sérgio Almeida para explicar a mudança.

“Quanto mais digital fica a política, mais o valor humano vira diferencial. No fim, campanha forte nasce de presença, emoção e verdade”, afirma.

Segundo a análise, esses três elementos se tornaram ativos estratégicos nas campanhas eleitorais.

A presença está relacionada ao contato direto com a população e à participação nos problemas reais das comunidades. A emoção é vista como ferramenta de construção de confiança. Já a verdade é associada à coerência entre discurso e prática ao longo do tempo.

O desafio das campanhas

O texto cita exemplos recentes da política nacional e internacional para demonstrar como a aparência de espontaneidade passou a gerar maior conexão com o eleitorado do que campanhas excessivamente planejadas.

Para o autor, a tecnologia continua sendo importante, mas deixou de ser o centro da estratégia. O diferencial passa a ser o conteúdo humano que é transmitido por meio dessas ferramentas.

Conclusão

Ao final, João Ágrima sustenta que o eleitor busca cada vez mais representantes que pareçam pessoas reais e não produtos políticos.

“A política cansou da perfeição. As pessoas querem representantes que pareçam pessoas, não produtos”, conclui o artigo.

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